A verdade que não te contaram sobre o Leite de Vaca

Liloripédia

 

Desde pequenos, o leite faz parte de nossa alimentação. Somos ensinados a amá-lo. Somos envolvidos num aspecto psicossocial do consumo do leite, muito devido à importância e significado do leite de nossas mãesque é e deve ser o nosso primeiro alimento. E então nós crescemos e ouvimos que tomar leite é indispensável para o crescimento e fortalecimento dos ossos. O leite está em qualquer lugar, em qualquer propaganda, em qualquer prateleira de supermercado, é barato, prático, e aparentemente inocente.  Mas e se não for? E se tudo que foi nos dito sobre o leite era mentira? Vai ser chocante dizer tudo isso, mas depois desse texto talvez eu convença vocês e a mim de que os malefícios do leite superam seus benefícios.

Centenas de milhões de dólares são investidos todo ano pela Indústria de Laticínios e pelos processadores de leite para assegurar que as pessoas bebam leite e consumam laticínios. Nos Estados Unidos, por exemplo, são mais de 200 milhões de dólares. Uma parte desse dinheiro é usada para pagar a publicidade, outros tantos ficam para:deputados e senadores que votam em questões que afetam a indústria de laticínios; associações como ADA (American Dietetic Association) que promovem o uso desses produtos e universidades que financiam pesquisas positivas sobre o assunto. O negócio do leite é bem rentável, todo mundo sai ganhando! E a verdade é que esse lucro gerado para governos e produtores está acima do interesse pela saúde da população. 

Leite e derivados constituem uma das principais fontes da alimentação humana. São a base de receitas clássicas da gastronomia mundial e estão enraizados na cultura, nos costumes e no paladar de milhares de pessoas. A demanda é grande e o mercado cada vez mais competitivo. Quem tem mais, vende mais. Então como fazer uma vaca simplesmente produzir mais leite e de forma ininterrupta??Dê hormônios a elas! Atualmente as vacas são moduladas com HBG (hormônio da gravidez) e hormônio de crescimento bovino recombinado. Injetar hormônios de crescimento nas pobres vacas não soa como algo natural e saudável. Na verdade soa como um insulto.

Obviamente essa manipulação hormonal modifica todo funcionamento metabólico da vaca. E adivinha? Esses hormônios estarão no nosso leite! Juntamente com quilos de agrotóxicos, pesticidas, toxinas e antibióticos presentes na alimentação das vacas. É um coquetel perfeito que com certeza fará efeito no nosso metabolismo. Câncer de próstata, de ovário, das mamas, infartos e AVC além de anemia, diabetes e osteoporose, tá bom?

Além de todos esses problemas não podemos deixar de falar no quão alergênico esse produto é. Em países desenvolvidos de 2% a 7,5% das crianças apresentam alergia a proteína do leite nos primeiros 3 anos de vida. Essa disfunção pode causar vômitos, diarreias, convulsões, irritabilidade, asma, eczema, anorexia, desnutrição, apatia entre outros. Além disso, a intolerância à lactose, que é a ausência ou insuficiência na produção da enzima lactase, produzida pelo corpo até 4 anos de idade, acomete 70% dos brasileiros, e é responsável por distensão abdominal, diarreias, gases etc.

Excessos e relações desproporcionais entre os nutrientes do leite o tornam um alimento nutricionalmente fraco. Muito sódio, fósforo, proteínas e cálcio. O problema é que quantidade não é sinônimo de qualidade. Proteína e cálcio em excesso não são bem absorvidos pelo corpo, causa sobrecarga e desequilíbrio. Mas o leite é a melhor fonte de cálcio. Não é? A verdade é: não há, no leite da vaca, nutrientes essenciais para a saúde humana que não possam ser encontrados em outros alimentos, como batata doce, brócolis, espinafre, couve, agrião, salsa, coentro, nozes, castanha do Pará, amêndoas, gergelim, chia, linhaça, sardinha, bacalhau entre outros, são alimentos riquíssimos e ótimas fontes de cálcio. Com um planejamento dietético correto é muito possível obter todo cálcio que precisamos! Lembrando que cálcio sem vitamina D não adianta nada! Então destine alguns minutos do seu dia para tomar alguns minutinhos de sol, a melhor fonte de vitamina D.

Enfim, são muitas informações ? Mas é algo a se pensar. Não estou aqui para abominar o consumo de leite e derivados. Procurei mostrar dados que muitas vezes desconhecemos. Mas acho válido reconsiderarmos o papel do leite na nossa saúde e bem estar. Pensando nisso a Escola de Saúde Pública de Harvard reduziu o consumo de leite e laticínios em sua última  edição do Healthy Eating Plate, que nada mais é do que um guia alimentar para a população americana. A proposta de 3 porções diárias estipuladas pela USDA se limitaram a uma até duas porções/dia. A mudança é justificada por estudos recentes que comprovaram que o alto consumo desses produtos está associado a maiores riscos de desenvolver cânceres de próstata e ovário. A medida busca encorajar as pessoas a buscar outras fontes de cálcio, visto que não é muito claro pra eles que os produtos lácteos são a melhor fonte do mineral.

Natassia Sacco – Nutricionista estágiaria Lilóri
Graduanda do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública - USP

 

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Acesse: http://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/healthy-eating-plate-vs-usda-myplate/

Referências:

BUZINARO, Elizabeth F.; ALMEIDA, Renata N. Alves de  and  MAZETO, Gláucia M.F.S..Biodisponibilidade do cálcio dietético. ArqBras Endocrinol Metab [online]. 2006, vol.50, n.5 [cited  2015-02-13], pp. 852-861 .

COHEN, ROBERT. Leite: alimento ou veneno? – Editora Ground, 2005

 

Galactolatria: mau deleite: implicações éticas, ambientais e nutricionais do consumo de leite bovino. São José: Ecoânima, 2012.

 

SORRENTINO, VICTOR. Segredos para uma vida longa. – 2º ed. – Porto Alegre: TRX Estratégias de Comunicação, 2014. 336 p.