Os porquês da alimentação funcional

Liloripédia

Você é o que você come. Essa é a frase mais clichê no mundo da nutrição, mas é a pura verdade. Vivemos num ambiente nos quais muitos fatores afetam nossa qualidade de vida, o dia a dia é corrido, muito trabalho, pressão, competitividade, stress, poluição, falta de tempo, muitas vezes ficamos em segundo plano e consequentemente nossa alimentação também. E esse é o maior erro que cometemos. O corpo é uma máquina muito inteligente, se você alimenta-la de coisas ruins as engrenagens enferrujam. Mas e se você der os melhores suprimentos possíveis? E se você nutrir seu maquinário com os combustíveis certos: alimentos in natura, orgânicos, vivos, ALIMENTOS FUNCIONAIS??? Esse é o assunto de hoje alimentos que além de suprir nossas necessidades energéticas, nos nutrem de nutrientes fantásticos que atuam na prevenção, tratamento e proteção do organismo das agressões diarias, além de promover saúde e dar ao corpo a possibilidade de expressar o seu melhor.

Funcional é o conceito atribuído a qualquer alimento ou ingrediente que além da nutrição básica promove algum beneficio à saúde. São alimentos comuns, consumidos na dieta cotidiana e responsáveis por melhorar, manter e reforçar a saúde dos consumidores via alimentação. São alimentos repletos de elementos vivos que atuam em uma ou mais funções do organismo, exaltam o bem estar e previnem doenças.

Mas porque a alimentação funcional é tão especial?

Porque ela parte da premissa da individualidade genética, de que cada corpo é único e, portanto responde de forma diferente aos componentes da dieta, ou seja, um determinado alimento pode ser benéfico para um individuo e causar efeitos opostos em outro. Esse princípio norteia a conduta nutricional a levar em consideração a expressão individual, sem se esquecer de que o ambiente, a história de vida eo histórico familiar também influencia nossas carências e necessidades.  Outra razão é que esses alimentos têm princípios ativos que interagem com todos os sistemas do nosso corpo incluindo a parte física e emocional, que dentro de uma alimentação balanceada e uma rotina de exercícios físicos contribuem para aumentar a eficiência das diversas funções do corpo. A nutrição funcional garante o equilíbrio entre os nutrientes, ofertando a quantidade adequada de cada um para que haja a otimização da absorção e aproveitamento pelas células. Se alimentar de forma funcional vai muito além de contar calorias. A alimentação funcional abre horizontes e traz o foco para comer o que te faz bem, comer o que te nutre de verdade, comer saúde!

E porque consumi-los?

A sociedade moderna é complexa, dura, hostil e modifica cada vez mais os padrões de vida e com isso os hábitos alimentares. O resultado é: a maioria das pessoas comem mal e muitas vezes optam por alimentos vazios, sem nutriente algum. Pense no corpo como uma máquina para qual enviamos dados e comandos que determinarão o funcionamento dela. Os alimentos são as informações que colocamos no nosso corpo diariamente. Se você oferece a ela coisas ruins ela não vai funcionar da maneira como você espera e precisa.  Não é a toa que a incidência de doenças crônicas não transmissíveis (doenças oriundas do estilo de vida e que se desenvolvem ao longo da vida) como diabetes, câncer, obesidade, AVC entre outras já são responsáveis por 63% das mortes no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde. Na hora você pensa, pra tudo tem remédio. E as pessoas se entopem de pílulas e comprimidos, caixas e mais caixas de tudo quanto é remédio, é uma medicalização absurda. Não condeno o uso de remédios, eles fazem parte do tratamento de doenças. Mas você já parou para pensar que a sua comida é provavelmente o melhor remédio disponível? É o seu remédio diário! Alimentos funcionais estão ai pra isso, potencializar funções vitais e prevenir ou tratar doenças. Esses alimentos não podem ser encarados como uma solução única, mas como um complemento, um auxílio que os avanços nutricionais, tecnológicos e científicos colocam a disposição da população melhorar a qualidade de vida. Nenhuma medicação funcionará se o corpo não estiver são para processar, absorver e distribuir.

Alimentos como kefir (próbiótico), vegetais crucíferos como repolho, brócolis, rabanete, couve flor, couve de Bruxelas, couve, óleos como azeite extra virgem, óleo de coco, sementes como linhaça, chia, gergelim, entre outros. Entretanto, esses alimentos não podem ser encarados como uma solução única, mas como um complemento, um auxílio que os avanços nutricionais, tecnológicos e científicos colocam a disposição da população, seja para prevenção ou tratamento tudo começa pela alimentação. Pense nisso!

Uma dica: para aproveitar ao máximo esses nutrientes especiais aposte em produtos orgânicos, livres de agrotóxicos, e métodos de cocção mais brandos, ex. no vapor. Quando o alimento puder ser comido cru é ainda melhor! Nenhum nutriente sobrevive a altas temperaturas e horas e horas de cocção!

Natassia Saccco - Nutricionista estagiária Lilóri

Graduanda no curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública - USP

 

Referências:

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