óleo de canola: a mentira com cara de saudável

Liloripédia

 

Quem nunca ouviu falar sobre o óleo de canola? E com certeza disseram pra você comprar porque é óleo mais saudável que tem certo? Reduz o colesterol, faz bem para o coração, é livre de gorduras trans e é rico em ômega-3! Fantástico! Mas será mesmo que o óleo de canola é tão bom assim???

Logo de cara você se pergunta: o óleo de canola é feito de quê?

Já começa que canola não é uma planta: é um nome comercial. É a sigla de Canadian Oil Low Acid que para evitar problemas de marketing, ficou CAN - OLA“Canadian low oil”, ou óleo canadense). É uma invenção canadense que vem de uma planta geneticamente modificada, trangênica, chamada colza, uma plantinha amarela pertencente à família da mostarda.

Mas antes de falar bem ou mal, vamos contar um pouco da história desse óleo...

Em meados da década de 80, a indústria promovia os óleos poliinsaturados como uma alternativa saudável para o coração em relação às gorduras saturadas “entupidoras de artérias”. Entretanto gorduras poliinsaturadas são altamente instáveis e se deformam na luz, no calor e na pressão, os quais se oxidam intensamente e em excesso aumentam razoavelmente a presença de radicais livres no corpo, envelhecendo-o prematuramente e contribuindo para desequilíbrios específicos, por exemplo, no sistema imunológico por ser uma gordura pró-inflamatória. Por isso, estava vez ficando mais claro que os poliinsaturados, a exemplo o óleo de milho e o óleo de soja, teriam de ser substituídos por outra coisa, ‘’comercialmente nutritiva’’.

A indústria precisava de uma solução rápida. Foi ai que começou a exaltação do uso de óleos monoinsaturados, como o azeite de oliva. Popularizado pela dieta do Mediterrâneo, rico em gorduras monoinsaturadas, redutor dos níveis de colesterol e protetor do coração, o azeite seria a saída perfeita. Mas não era tão simples assim. A indústria não daria conta de atender a demanda mundial de azeite e, além disso, seria bem mais caro.  A indústria precisava de algo mais em conta. E quem foi o escolhido?? O óleo de canola! Com um estímulo de US$50 milhões do governo Canadense, o FDA (órgão regulador dos EUA) facilitou o ingresso do óleo de canola na indústria alimentar. Entretanto, nunca houveram estudos adequados de segurança em humanos.  Foi assim que no final dos anos 90 a canola explodiu nas prateleiras do mercado e na cadeia alimentícia e, não foi apenas nos EUA. 

 

Um óleo com quase 60% de ácidos graxos monoinsaturados (quase 70% do azeite) e já utilizado extensivamente na China, Japão e Índia (só que numa forma não refinada). Só que essas supostas “gorduras boas” não são iguais a do azeite. Na verdade quase dois terços dos ácidos graxos monoinsaturados no óleo de colza são de acido erúcico, uma substancia tóxica, responsável por retardo no crescimento e mudanças indesejáveis em vários órgãos, especialmente o coração, fatos esses comprovados em estudos. Mas ai a indústria te afirma que óleo de Canola contém somente traços de ácido erúcico. Mas essa pouca quantidade já é suficientemente tóxica e, pra piorar, o efeito é cumulativo (os sintomas podem demorar 10 anos para aparecer). Além disso, o teor inflamatório desse ácido causa déficit de vitamina E, um antioxidante importantíssimo, que em baixa quantidade reduz a capacidade do corpo de combater radicais livres, doenças degenerativas e cardiovasculares.

É verdade que dentre esses óleos vegetais mais conhecidos, o óleo de canola é um dos que tem maior quantidade de ômega-3, contendo mais de 10%, e baixíssimas taxas de gordura saturada. A maioria das pessoas é deficiente em ômega-3, um ácido graxo ótimo para o coração, visto que reduz os níveis de colesterol e combate radicais livres, e para o sistema imunológico, por ser anti-inflamatório. No entanto, grande parte desse ômega 3 é transformado em gordura trans durante o processo de desodorização, e pesquisas continuam a provar que essa gordura saturada é necessária e altamente protetora, porque retarda a transformação em gordura trans. Conclusão: no processo de desodorização perde-se ômega 3.

O óleo de canola é um perigo para a saúde. Não é o óleo saudável que pensávamos que fosse, e não está apto para o consumo humano. É uma mentira que a indústria nos fez engolir, quando na verdade deveriam estar protegendo nós consumidores.

E essa é a verdade sobre o óleo de canola.

 

Natassia Sacco – Nutricionista estágiaria Lilóri
Graduanda do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública - USP

Referências

 Beck, Alexis.   "Canola Oil: Dream Product from Canada?"St. Louis Post-Dispatch.   15 January 1990   (Food; p. 3).

 

Wagner, Bill.   "Surprising Sources for New Foods.  FDA Consumer.   November 1993.

   

 Wolke, Robert L.   "Canola Baloney." The Washington Post.   7 February 2001   (p. F1)


Disponível em < http://www.blogdodrvictorsorrentino.com/2012/03/verdade-sobre-o-oleo-decanola.html#sthash.xbB4YDyI.dpuf> Acesso em: 05/02/15