Adoçantes: mitos e verdades

Liloripédia

O uso de adoçantes é um assunto polêmico.  Sintetizados desde 1875 (o primeiro foi a sacarina), esses produtos que antigamente tinham seu uso restrito às pessoas em condições metabólicas e fisiológicas específicas a exemplo o diabetes,  ganharam o gosto da população como substituto do açúcar e símbolo de produto saudável, sem calorias e sem restrições. Mas será que esse amigo da consciência tranquila não tem suas limitações?

Os adoçantes podem ser classificados em não nutritivos e nutritivos e também em artificiais ou naturais. A primeira classificação diz se ele contém ou não calorias. A segunda classificação já seleciona as substâncias por sua origem e processamento. Como artificiais elaborados em laboratórios, temos principalmente, sacarina, aspartame e acessulfame. Já os adoçantes naturais, extraídos de plantas ou produtos de origem animal, são o stevia, maltitol, eritritol, entre outros. De cara posso dizer que os adoçantes naturais são opções mais seguras. Pelo menos sabemos que eles vieram de coisas que existem na natureza!Mas quem realmente deve consumir adoçante? Na explicação da ANVISA temos seu uso para “fins especiais”, a exemplo para diabéticos, que devem manter a glicemia controlada. Mas todos nós sabemos que isso não ocorre.

Vivemos um momento de supervalorização da alimentação, o açúcar acabou se tornando um vilão e os adoçantes surgiram como substitutos saudáveis.  Nas prateleiras dos supermercados, uma invasão de produtos diet, desde comida à bebida, entraram na dieta da população sem restrição nenhuma.  Algumas gotas ou um simples sachezinho, com poder de adoçar até 20000 vezes mais que o açúcar e sem calorias. Essa ultima informação é muito sedutora e leva as pessoas a crer que o produto pode ser utilizado sem moderação. É ai que mora o erro. Os adoçantes vieram ao mundo para adoçar a vida de pessoas com restrições para o uso do açúcar. São produtos com indicação de uso, não são opções melhores ou mais saudáveis que o açúcar.  O que eu quero dizer é: se não existe uma restrição, o uso do adoçante perde seu sentido. Quer adoçar? Utilize com moderação um açúcar de melhor valor nutricional, o demerara ou o mascavo, ou até mesmo um açúcar de coco. Não quer açúcar? Tente uma tâmara ou uma banana bem madura. A solução não está na troca de um produto por outro e sim no consumo com equilíbrio.

O que seriam dos bolos caseiros da vovó? Da confeitaria francesa? Dos doces mineiros? A alimentação é muito mais do que calorias, são lembranças, histórias, culturas e com certeza, prazer.

Quem consome adoçante não consome uma vez ao dia, consome várias: no cafezinho, no refrigerante zero, no suco, no docinho, e por ai vai. Outro problema é que grande parte do setor industrial alimentício está mais preocupado com consumo e o custo do que com a qualidade nutricional. E os adoçantes que eles mais usam são os artificiais, super formulações químicas elaboradas em laboratório. Ou seja, não parece legal. Embora sejam necessários muitos testes para a aprovação de consumo e venda dos adoçantes, muitos deles circulam nos mercados sem nenhum tipo de estudo ou comprovações de efeitos adversos, ou pior, alguns comprovadamente fazem mal e continuam sendo vendidos e adicionados em diversos produtos, a exemplo o aspartame, comprovadamente um neurodepressor, que quando decomposto sob uma temperatura de apenas 30°C forma formol e ácido fórmico, duas substâncias extremamente tóxicas que podem causar danos irreversíveis no cérebro, associando este adoçante ao desenvolvimento de esclerose múltipla, Alzheimer e outras doenças. Outros estudos dizem que a ingestão de apenas uma média da quantidade de apartame, sucralose e principalmente sacarina, por pessoas saudáveis, podem alterar a composição da flora intestinal e prejudicar as diversas funções que esse complexo de microorganimos desenvolve no corpo. Resumindo: se precisarem usar adoçantes prefiram os naturais!

O que eu quero dizer é: o equilíbrio é chave de tudo. Não estou aqui para demonizar os adoçantes, quis apenas explicar que o uso deles atualmente está descomedido e sem a orientação necessária. Ressaltei também que quando NATURAIS eles tem ótimas aplicações e podem fazer parte da alimentação de quem precisa, a exemplo diabéticos e como aplicação para controle da obesidade! Só devemos nos atentar as quantidades! Tudo em excesso faz mal, é clichê, mas é a verdade!  

 

Natassia Sacco – Nutricionista estagiária Lilóri
Graduanda do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública - USP

 

Referências:

Brasil, Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Informação nutricional

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